III Jornada de Estudos em História e Literatura
13 - 16 de Abril de 2026
“Pessimismo da razão, otimismo da vontade” é o lema da III Jornada de estudos em História e Literatura (JEHISLIT). A referência, recuperada a partir dos escritos do filósofo marxista Antonio Gramsci, instiga-nos à reflexão em torno da literatura como um instrumento de potencialidades, a fim de que pensemos acerca da emancipação humana, não apenas como uma utopia, mas vislumbrando suas possibilidades de transformação da sociedade.
No processo de formação do ser social, o filósofo György Lukács estabelece que o complexo da arte, no contexto de sua gênese e função social, proporciona ao indivíduo uma sensibilização dos sentidos humanos. Para o autor, as atividades artísticas necessitam de uma capacidade de abstração, possibilitada pelo tempo de ócio. Nossa Jornada, portanto, dialoga com a realidade concreta do tempo presente, em que se luta pelo fim da escala de trabalho 6x1, que usurpa dos indivíduos sua inspiração material e espiritual. Ao constatarmos que à classe trabalhadora tem-se a negação desse tempo livre, impossibilitando-lhe a fruição estética, evocamos o pensamento do crítico literário Antonio Candido. Em seu ensaio intitulado de O Direito à Literatura (1988), Candido posiciona a literatura no rol dos direitos incompressíveis, insernida-a no âmbito das necessidades elementares do ser humano.
A arte, portanto, fala à humanidade. Assim, a literatura, enquanto elemento artístico, está presente no mundo dos homens, refletindo, também, sobre uma sociedade fecundada em suas contradições. Entre tantos significados, ela inspira anseios e lutas históricas, impulsionando debates acerca do processo de constituição do ser social, considerando o seu desenvolvimento histórico, tanto individual quanto coletivo. Resgatamos, portanto, o otimismo gramsciano, inserindo a literatura no âmbito do seu caráter de transformação e valorização das potencialidades dos indivíduos, rumo a um horizonte com vistas à emancipação humana.


"Pessimismo da razão, otimismo da vontade": História, Literatura e Emancipação Humana
Seminários Lukacsianos
20 de Maio - 10 de Junho de 2025
O Seminário foi composto por 4 encontros, estruturados do seguinte modo:


A ontologia Lukacsiana em perspectiva estética
1) Para ler a ontologia de Lukács: princípios básicos.
Com Prof. Dr. Sérgio Lessa
Doutor em ciência sociais (Unicamp)
Professor Titular (UFAL)
Mediadores: Mateus Roque (Unicamp), Angélica Freire (UFC)


2) Ontologia de Lukács: possibilidades de leitura.
Com Prof. Dr. Ivo Tonet
Doutor em Educação (Unesp)
Professor aposentado (UFAL)
Mediadores: Mateus Roque (Unicamp), Isabela Papke (UFRGS)


3) Ontologia Lukacsiana em perspectiva estética.
Com Prof. Dr. Celso Frederico
Doutor em Sociologia (USP)
Professor Titular (USP)
Mediadores: Angelica Freire (UFC), Isabela Papke (UFRGS)


4) Crítica literária e marxismo: contribuições de Lukács
Com Prof. Dr. Rafael Massuia
Doutor em Ciências Sociais (Unesp)
Professor Colaborador (Unicentro)
Mediador: Dr. Luan Morais (UFC)


Seminários Gramscianos
13 de Março - 10 de Abril de 2025
O Seminário foi composto por 4 encontros, estruturados do seguinte modo:


Antonio Gramsci entre o papel do intelectual, a arte e a literatura
1) A contribuição dos Estudos Gramscianos para o Brasil Hoje.
Com Profª. Drª. Luciana Aliaga
Doutora em ciência política (Unicamp)
Presidente da Internacional Gramsci Brasil (IGS-Brasil)
Mediadores: Mateus Roque (Unicamp), Dr. Pedro Picelli (Unicamp)


2) Política e Literatura nos "Quaderni del Carcere".
Com Profª. Drª. Daniela Mussi
Doutora em ciência política (Unicamp)
Professora Adjunta (UFRJ)
Mediadores: Mateus Roque (Unicamp), Angélica Freire (UFC)


3) A questão do intelectual em Antonio Gramsci.
Com Prof. Dr. Marcos del Roio
Doutor em ciência política (USP)
Professor Titular (Unesp)
Mediadores: Mateus Roque (Unicamp)


4) O papel da Educação em Antonio Gramsci
Com Profª. Drª. Deise Rosalio
Doutora em Educação (USP)
Professora Adjunta (UFMG)
Mediadores: Mateus Roque (Unicamp), Lucecleia Silva (UFES)


II Jornada de Estudos em História e Literatura
24 - 27 de Março de 2025
A citação direta que abre o título da segunda edição de nossa Jornada de estudos em História e Literatura (JEHISLIT), “A língua é minha pátria”, é uma referência à canção Língua, de Caetano Veloso, que, por sua vez, dialoga com O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa. Veloso, cantor e compositor brasileiro, recupera a tônica portuguesa irrompendo a possibilidade de habitar não um país enquanto compositor, mas uma língua. Quando observamos essa sentença, percebemos seu caráter ambíguo, isto é, a língua como possibilidade de união dos países falantes de língua portuguesa e a língua enquanto herança da violência colonial, imposição indissociável do nosso passado em comum.
Nesse aspecto, pensar a literatura é pensar um modo de (re)formular a língua, de dar corpo a coletividades e individualidades, de visualizar contrastes que, em virtude dos processos diaspóricos, derivados de regimes autoritários e de práticas colonizadoras, têm tornado-se cada vez mais difíceis. A conquista de autonomia dos países que sobreviveram a esses processos evoca, nesta II JEHISLIT, a necessidade de uma série de reflexões que (re)pensem os processos coloniais – genuinamente desvelados pela forma literária –, ressignificando, cada qual ao seu modo, a nossa complexa relação com esse passado histórico, em um importante movimento de recuperação e compreensão das violências que foram perpetradas pelo colonialismo, das quais os ecos podem, ainda, serem facilmente identificados em nossa vida social, política, econômica e cultural.
A partir dessa leitura, a “II Jornada de Estudos em História e Literatura - A língua é minha pátria: narrativas que constroem identidades nacionais” foi arquitetada de modo a refletir acerca das múltiplas concepções de nação e nacionalismo a partir das mais diversas formulações do imaginário, em geral, e do objeto literário, em específico, evidenciando os modos como a territorialidade linguística vincula-se à esses processos e as formas como podemos vencer preconceitos que tornem determinadas manifestações estéticas diminutas frente a outras. É tempo de celebrar a pluralidade, tornar as margens centro e, principalmente, fazer dos diálogos entre a Literatura e a História pontes de construção desse novo tempo.


"A língua é minha pátria": narrativas que constroem identidades nacionais
I Jornada de Estudos em História e Literatura
18 - 20 de Março de 2024
A citação do Antonio Candido, descortinada nesse texto de apresentação, posiciona a literatura como elemento essencial para o desenvolvimento, em seu sentido mais amplo, de nossa humanidade. Sua obra, de suma importância para a crítica literária brasileira, fundamenta-se no estreito diálogo existente entre as produções literárias e o ofício historiográfico, ciente de que, cada qual ao seu modo, nos impulsiona, a partir de um forte movimento de alteridade, a vislumbrar uma sociedade mais justa e igualitária. Como bem salientaram as professoras Regina Delcastagnè, Paula Dutra e Graziele Frederico: o texto poético ergue-se em nosso meio como “uma tentativa de resistência que, se não causará a grande revolução de nossos tempos, pelo menos não nos deixará indiferentes ao que de fato está ocorrendo entre nós”.
Nesse esteio, apresentamos a I Jornada de Estudos em História e Literatura – Palavras que perduram: historiografia e crítica literária, promovida pelo Grupo de Estudos em História e Literatura (GEHISLIT), vinculado ao Departamento de História da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. O Grupo, de caráter interinstitucional, é composto por docentes, pesquisadores e discentes, da graduação e da pós-graduação, interessados no debate interdisciplinar, especialmente em seu aspecto teórico-metodológico, relacionado aos campos da História e da Crítica Literária. Embora compartilhem do mesmo objetivo, isto é, da apreensão do passado, recente ou mais longínquo, por meio do texto literário, são muitos os temas e possibilidades analíticas que permeiam as pesquisas desenvolvidas pelos membros do grupo.




