Cursos Livres
História & Literatura:
Introdução à estética marxista
Professor: Dr. Luan Lucas Araújo Morais (UFF).
Data: 13 e 14 de Outubro de 2022.
No âmbito das relações entre História e Literatura na pesquisa acadêmica a presença do marxismo – ou melhor, dos marxismos – de modo geral, foi escanteada ou mesmo ignorada a partir das décadas de 1990 e 2000 no Brasil. Em virtude dos paradigmas e métodos levantados pela Nouvelle Histoire francesa e pelo fôlego teórico de sua vinculação ao campo da Nova História Cultural, o estudo e a utilização das fontes literárias no fazer historiográfico destinou-se à compreensão das representações culturais encontradas nesta tipologia documental, bem como sua relação com o contexto histórico- social que as produziram. Embora existam trabalhos de excelência no dito campo “culturalista”, compreendemos que a análise de um fenômeno, obra ou ator não pode ser fraturada de modo que cada um destes possua um sentido individual de existência. A tentativa de um estudo totalizante que englobe os três aspectos torna-se, então, um método desejável de se analisar as relações entre História e Literatura no ofício do historiador. Desse modo, o presente curso objetiva apresentar uma introdução ao pensamento estético marxista, cuja preocupação com os elementos culturais que constroem e engendram as sociedades e o pensamento humano nunca esteve relegada a um segundo plano de importância. Com base nos estudos de teóricos marxistas como Lucien Goldmann, György Lukács, Raymond Williams, Terry Eagleton, dentre outros, buscaremos apresentar os debates em torno das questões que envolvem a definição ou delimitação da ideia de “literatura”, bem como discutir a questão da produção artística e sua íntima ligação com aqueles que a produzem.


A(s) caverna(s) saramaguianas:
alegoria, marxismo e capitalismo
Professores: Dr. Isabela Papke (UFRGS) e Mateus Roque (Unicamp).
Data: 30 de Janeiro e 01 de Fevereiro de 2023.
Diversos críticos de José Saramago, como José Santos (2020), Jean Pierre Chauvin (2021) e Vera Silva (2022), têm apontado para a força da teorização marxista em sua obra ficcional. Diante de tais constatações, em âmbito teórico-metodológico, o presente minicurso pretende, por meio de uma percepção materialista histórico-dialética, analisar o romance A caverna, originalmente publicado em 2000, pelo autor português. Para tanto, a apresentação se guiará a partir das concepções de Karl Marx (2015), bem como seus críticos (WILLIAMS, 2007; KONDER, 2015), acerca do capitalismo contemporâneo, e sua inevitável exploração, em base social, cultural, política e econômica dos sujeitos. Com base nos referidos teóricos sociais, objetiva-se discutir em que medida o romance saramaguiano, utilizando-se de recursos alegóricos (HANSEN, 2006) e insólitos (PERINI, 2017), apreende as realidades concretas do mundo burguês e as encena poeticamente em A caverna (2000).


Todas as ilusões perdidas: o Holocausto na Literatura Brasileira
Professores: Heloiza Montenegro Barbosa (UFPE).
Data: 23 e 30 de Maio de 2023.
A presença judaica no Brasil vem desde o período colonial - “Nenhum país teve, como o Brasil, começos tão intensamente marcados pela presença e ação do povo judeu” como afirma Regina Igel (1997) - com a presença das comunidades judaicas de origem sefardita no Recife. Eventualmente, outros fluxos migratórios que contavam com a presença judaica foram se espalhando e se encontrando em território brasileiro, como comunidades no Norte, Sul e Sudeste do país. Com o crescimento do antissemitismo na Europa Oriental no início do século XX, o Brasil recebe famílias judaicas de origem asquenazi: esse processo alcançará seu ápice nas primeiras três décadas do mesmo século. É nesse momento que grandes nomes da nossa literatura como Clarice Lispector, Meir Kucinski e Samuel Rawet chegam ao Brasil. Usando como base a Proposta de Metodologia Analítica apresentada por Regina Igel (1997), o presente curso se divide em duas partes: no primeiro encontro uma discussão introdutória sobre as temáticas e textos que apresentam a Shoá como parte essencial da narrativa e, no segundo encontro, a discussão de textos selecionados, com debate aberto.


“Homens mortos não contam histórias’’: a construção da imagem do pirata moderno através da literatura
Professor: Dr. André Luiz Tinoco Nogueira (UFRJ).
Data: 01 e 08 de Outubro de 2024.
O minicurso "Homens mortos não contam histórias: a construção da imagem do Pirata moderno através da Literatura" explora a transformação da figura do pirata ao longo dos séculos, desde suas representações históricas até sua consolidação como um ícone cultural na literatura e no cinema. A pirataria não é entendida como um conceito único e estático, e por diferentes momentos da História, se configurou em variadas interpelações, não sendo um fenômeno contemporâneo e nem mesmo moderno como geralmente associamos. Composto por duas aulas de 2 horas cada, o curso propõe uma análise detalhada sobre como os piratas foram retratados na ficção e como essas imagens influenciaram nossa percepção contemporânea dessa figura. Ao longo do minicurso, os alunos são incentivados a refletir sobre a relação entre a realidade histórica e a ficção, compreendendo como as narrativas moldaram a figura do pirata moderno e a perpetuaram na cultura popular. Com base em debates, leitura de textos literários e análise de filmes, o curso proporciona uma visão ampla e crítica sobre a construção dessa figura icônica e suas implicações culturais.




