Cursos Livres

Marxismo e Direitos Humanos: por uma emancipação real da humanidade

Professor: Mateus Roque da Silva (Unicamp)

Data: 16, 23 e 30 de Setembro de 2026 (19:00 às 21:00h, horário de Brasília).

Investimento: R$ 25,00 (Com certificado de 6 horas).

O presente minicurso tem como objetivo apresentar um panorama do percurso intelectual de Karl Marx no que se refere à sua compreensão do direito e dos Direitos Humanos, buscando identificar as permanências, rupturas e reformulações que caracterizam a construção de seu pensamento. A partir da análise de obras produzidas em diferentes momentos de sua trajetória intelectual, o estudo demonstra como Marx desenvolve uma crítica progressivamente mais consistente às concepções jurídicas liberais, compreendendo o direito não como uma expressão neutra da justiça, mas como uma forma social historicamente determinada, vinculada às relações de produção da sociedade capitalista e aos interesses das classes dominantes. Nesse contexto, os Direitos Humanos são analisados à luz da crítica marxiana aos direitos burgueses, com destaque para escritos como A Questão Judaica (2010a) e Os Despossuídos (2017). Metodologicamente, o curso fundamenta-se em revisão bibliográfica de caráter qualitativo, articulando a leitura da obra marxiana às contribuições da tradição marxista contemporânea, especialmente às interpretações de Ronaldo Bastos (2013), Alysson Mascaro (2017) e José Paulo Netto (2020). A análise evidencia que a crítica de Marx não consiste em uma rejeição abstrata do direito e dos Direitos Humanos, mas em sua compreensão como produtos históricos das relações sociais burguesas, cujos limites somente podem ser superados por meio da transformação das condições materiais que lhes dão sustentação.

Literatura e racismo: quem escreve, quem é representado

Professora: Drª. Lucecleia Francisco da Silva (UFES)

Data: 17 e 24 de Setembro de 2026 (19:00 às 22:00h, horário de Brasília).

Investimento: Gratuito (Com certificado de 6 horas).

O minicurso propõe discutir as relações entre literatura e racismo, considerando o texto literário como produção histórica e social vinculada às condições concretas de sua produção, circulação e leitura. Serão examinadas formas de representação de personagens negras na literatura, com atenção para estereótipos, posições sociais atribuídas às personagens, construção da voz, autoria e presença negra no campo literário. O curso abordará, ainda, a constituição histórica do racismo no Brasil e suas relações com a produção literária, discutindo como determinados textos reproduzem concepções racializadas e como escritores negros elaboram outras formas de representação da experiência social brasileira. A partir da leitura e análise de textos literários, pretende-se oferecer instrumentos para uma leitura atenta às relações entre linguagem, literatura, raça, classe e sociedade.

Além da tradução: como escrever textos acadêmicos em inglês

Professora: Drª. Talita Alves (UFMG)

Data: 25 e 27 de Agosto de 2026 (19:00 às 21:00h, horário de Brasília).

Investimento: R$ 20,00 (Com certificado de 4 horas).

O minicurso propõe uma introdução às principais características da escrita acadêmica em inglês. Partindo da compreensão de que escrever em inglês vai além da tradução de textos produzidos em português, o curso abordará aspectos relacionados ao estilo, à clareza, à precisão lexical e à organização das ideias. Serão discutidas estratégias para produzir textos mais coesos e legíveis, incluindo o uso de vocabulário adequado e recursos de hedging. O minicurso terá caráter predominantemente expositivo, com atividades práticas pontuais, análise de textos acadêmicos e sugestões de práticas para o desenvolvimento da escrita acadêmica em inglês.

Observação: O minicurso será ministrado em português, mas os exemplos e textos utilizados serão apresentados em inglês, sem tradução integral. Recomenda-se conhecimento prévio de leitura em língua inglesa para melhor acompanhamento das atividades.

História & Literatura:
Introdução à estética marxista

Professor: Dr. Luan Lucas Araújo Morais (UFF).

Data: 13 e 14 de Outubro de 2022.

No âmbito das relações entre História e Literatura na pesquisa acadêmica a presença do marxismo – ou melhor, dos marxismos – de modo geral, foi escanteada ou mesmo ignorada a partir das décadas de 1990 e 2000 no Brasil. Em virtude dos paradigmas e métodos levantados pela Nouvelle Histoire francesa e pelo fôlego teórico de sua vinculação ao campo da Nova História Cultural, o estudo e a utilização das fontes literárias no fazer historiográfico destinou-se à compreensão das representações culturais encontradas nesta tipologia documental, bem como sua relação com o contexto histórico- social que as produziram. Embora existam trabalhos de excelência no dito campo “culturalista”, compreendemos que a análise de um fenômeno, obra ou ator não pode ser fraturada de modo que cada um destes possua um sentido individual de existência. A tentativa de um estudo totalizante que englobe os três aspectos torna-se, então, um método desejável de se analisar as relações entre História e Literatura no ofício do historiador. Desse modo, o presente curso objetiva apresentar uma introdução ao pensamento estético marxista, cuja preocupação com os elementos culturais que constroem e engendram as sociedades e o pensamento humano nunca esteve relegada a um segundo plano de importância. Com base nos estudos de teóricos marxistas como Lucien Goldmann, György Lukács, Raymond Williams, Terry Eagleton, dentre outros, buscaremos apresentar os debates em torno das questões que envolvem a definição ou delimitação da ideia de “literatura”, bem como discutir a questão da produção artística e sua íntima ligação com aqueles que a produzem.

A(s) caverna(s) saramaguianas:
alegoria, marxismo e capitalismo

Professores: Dra. Isabela Papke (UFRGS) e Mateus Roque (Unicamp).

Data: 30 de Janeiro e 01 de Fevereiro de 2023.

Diversos críticos de José Saramago, como José Santos (2020), Jean Pierre Chauvin (2021) e Vera Silva (2022), têm apontado para a força da teorização marxista em sua obra ficcional. Diante de tais constatações, em âmbito teórico-metodológico, o presente minicurso pretende, por meio de uma percepção materialista histórico-dialética, analisar o romance A caverna, originalmente publicado em 2000, pelo autor português. Para tanto, a apresentação se guiará a partir das concepções de Karl Marx (2015), bem como seus críticos (WILLIAMS, 2007; KONDER, 2015), acerca do capitalismo contemporâneo, e sua inevitável exploração, em base social, cultural, política e econômica dos sujeitos. Com base nos referidos teóricos sociais, objetiva-se discutir em que medida o romance saramaguiano, utilizando-se de recursos alegóricos (HANSEN, 2006) e insólitos (PERINI, 2017), apreende as realidades concretas do mundo burguês e as encena poeticamente em A caverna (2000).

Todas as ilusões perdidas:
o Holocausto na Literatura Brasileira

Professores: Heloiza Montenegro Barbosa (UFPE).

Data: 23 e 30 de Maio de 2023.

A presença judaica no Brasil vem desde o período colonial - “Nenhum país teve, como o Brasil, começos tão intensamente marcados pela presença e ação do povo judeu” como afirma Regina Igel (1997) - com a presença das comunidades judaicas de origem sefardita no Recife. Eventualmente, outros fluxos migratórios que contavam com a presença judaica foram se espalhando e se encontrando em território brasileiro, como comunidades no Norte, Sul e Sudeste do país. Com o crescimento do antissemitismo na Europa Oriental no início do século XX, o Brasil recebe famílias judaicas de origem asquenazi: esse processo alcançará seu ápice nas primeiras três décadas do mesmo século. É nesse momento que grandes nomes da nossa literatura como Clarice Lispector, Meir Kucinski e Samuel Rawet chegam ao Brasil. Usando como base a Proposta de Metodologia Analítica apresentada por Regina Igel (1997), o presente curso se divide em duas partes: no primeiro encontro uma discussão introdutória sobre as temáticas e textos que apresentam a Shoá como parte essencial da narrativa e, no segundo encontro, a discussão de textos selecionados, com debate aberto.

“Homens mortos não contam histórias’’:
a construção da imagem do pirata moderno através da literatura

Professor: Dr. André Luiz Tinoco Nogueira (UFRJ).

Data: 01 e 08 de Outubro de 2024.

O minicurso "Homens mortos não contam histórias: a construção da imagem do Pirata moderno através da Literatura" explora a transformação da figura do pirata ao longo dos séculos, desde suas representações históricas até sua consolidação como um ícone cultural na literatura e no cinema. A pirataria não é entendida como um conceito único e estático, e por diferentes momentos da História, se configurou em variadas interpelações, não sendo um fenômeno contemporâneo e nem mesmo moderno como geralmente associamos. Composto por duas aulas de 2 horas cada, o curso propõe uma análise detalhada sobre como os piratas foram retratados na ficção e como essas imagens influenciaram nossa percepção contemporânea dessa figura. Ao longo do minicurso, os alunos são incentivados a refletir sobre a relação entre a realidade histórica e a ficção, compreendendo como as narrativas moldaram a figura do pirata moderno e a perpetuaram na cultura popular. Com base em debates, leitura de textos literários e análise de filmes, o curso proporciona uma visão ampla e crítica sobre a construção dessa figura icônica e suas implicações culturais.

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